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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um pouco de DRUMMOND


Papai Noel às Avessas

Carlos Drummond de Andrade

Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.
Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai  entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.
Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do  aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.

Este poema foi publicado no livro
"Alguma Poesia", Editora Pindorama, em1930, primeiro livro do autor.  Texto extraído de "Nova Reunião", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1983, pág. 24.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

DIA GRIS







Dia gris

Hoje esta um dia cinzento,chuvoso,mas nao esta um dia triste.Ha circunstancias na vida que requerem sensibilidade de nossa parte,principalmente nesta epoca que precede o Natal...as pessoas ficam com as emocoes a flor da pele e temos que ter muito cuidado para nao magoa-las.Qual foi a ultima vez que voce deu algo para alguem,sendo que este"algo"era uma coisa da qual voce gostava muito?Nesta epoca do ano eu me lembro muito de minha mae...nao tinhamos muito mas ela sempre,em todos os Natais de nossas vidas,fazia vestidinhos para criancinhas carentes da idade de uma de nos[eramos duas irmas ].Quando o vestidinho ficava pronto,uma de nos o experimentava,so que,quando crescemos e a unica crianca que havia em casa era nosso ir mao,ele passou a experimentar e depois,mais tarde,tambem meus filhos tiveram que se submeter a esta"prova", o que,para eles se constituia em uma verdadeira provacao...mas valia a pena,pois,para ela aquele era o verdadeiro "espirito de Natal".Bons tempos aqueles...

RECEBI POR EMAIL

    Conexão da Semana: A Determinação      
José era um dos doze filhos de Jacob, e desde pequeno mostrava as qualidades que lhe tornariam o herdeiro natural do patriarcado.  Os irmãos passaram a sentir muita inveja dele e um dia, possuídos pelo ódio, o atacaram no deserto e venderam-no como escravo.

José não sucumbiu ao sentimento de raiva e ao desejo de vingança dos irmãos. Mesmo mais tarde, quando preso injustamente, não esmoreceu.  Manteve-se sempre firme e aguardando dias melhores.

A conexão desta semana traz esta energia de determinação. Nos inspiramos em José para lembrar que mesmo os maiores obstáculos são temporários. Precisamos manter-nos firmes e não nos deixar contaminar pelos sentimentos negativos, já que temos algo muito importante a realizar.

Shalom!

Atenção:  Se você acompanha as mini-aulas que disponibilizamos todas as semanas, por favor dê um "RESPONDER" neste e-mail. Precisamos reconhecer o nosso grupo. 
A seguir a mini-aula e o salmo 121, que a acompanha.
[]s Ian Mecler.                                                                                    
Mini-aula:http://www.youtube.com/watch?v=3dg9jT2Ns_A
 
SALMO 121:
Um cântico para ascensão. Ergo meus olhos para o alto de onde virá meu auxílio. Meu socorro vem do Eterno, o Criador dos céus e da terra. Ele não permitirá que resvale teu pé, pois jamais se omite Aquele que te guarda. O Guardião do nosso povo jamais descuida, jamais dorme. Deus é Tua proteção. Como uma sombra, te acompanha a Sua Destra. De dia não te molestará o sol, nem sofrerás de noite sob o brilho da lua. O Eterno te guardará de todo mal; Ele preservará tua alma. Estarás sob Sua proteção ao saíres  e ao voltares, desde agora e para todo o sempre.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Imagine john lennon TRADUÇÃO TRINTA E UM ANOS SEM JOHN LENNON


John Lennon

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
John Lennon
John Lennon em 1969
Informação geral
Nome completo John Winston Lennon
Nascimento 9 de Outubro de 1940
Local de nascimento Liverpool, Inglaterra
 Reino Unido
Data de morte 8 de dezembro de 1980 (40 anos)
Local de morte Nova Iorque, NY
 Estados Unidos
Gêneros Rock and roll, pop rock, rock psicodélico, rock experimental
Instrumentos vocal
guitarra
piano
banjo
gaita
baixo
cravo
Período em atividade 19571980
Afiliações The Quarrymen
The Beatles
Plastic Ono Band
Página oficial JohnLennon.com
John Winston Lennon [1]MBE (Liverpool, 9 de outubro de 1940Nova Iorque, 8 de dezembro de 1980) foi um músico, compositor, escritor e ativista britânico.
John Lennon ganhou notoriedade mundial como um dos fundadores do grupo de rock britânico The Beatles. Na época da existência dos Beatles, John Lennon formou com Paul McCartney o que seria uma das melhores e mais famosas duplas de compositores de todos os tempos, a dupla Lennon/McCartney. John Lennon foi casado com Cynthia Powell, e com ela teve o filho Julian. Em 1966, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Em 1968, Lennon e Yoko produziram um álbum experimental, "Unfinished Music No.1: Two Virgins ", que causou controvérsia por apresentar o casal nu, de frente e de costas, na capa e contracapa. A partir deste momento, John e Yoko iniciariam uma parceria artística e amorosa. Cynthia Powell pediu o divórcio no mesmo ano, alegando adultério. Em 1969, o casal se casou numa cerimônia privada no rochedo de Gibraltar. Usaram a repercussão de seu casamento para divulgar um evento pela paz, chamado de "Bed in", ou "John e Yoko na cama pela paz", como um resultado prático de sua lua-de-mel, realizada no Hotel Hilton, em Amsterdã. No final do mesmo ano, Lennon comunicou aos seus parceiros de banda que estava deixando os Beatles. Ainda no mesmo período, Lennon devolveu sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha Elizabeth,[2] como uma forma de protesto contra o apoio do Reino Unido à guerra do Vietnã, o envolvimento do Reino Unido no conflito de Biafra e "o fraco desenvolvimento de Cold Turkey nas paradas de sucesso".

HOMENAGEM DE HOJE NO GOOGLE

Diego Rivera, de nome completo Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera (Guanajuato, 8 de dezembro de 1886 - San Ángel, 24 de novembro de 1957), de origem judaica, foi um dos maiores pintores mexicanos.

Biografia

Diego Rivera estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, no México, mas partiu para a Europa, beneficiado de uma bolsa de estudo, onde ficou de 1907 até 1921. Esta experiência enriqueceu-o muito em termos artísticos, pois teve contacto com muitos pintores da época como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto catalão Antoni Gaudí, que influenciaram a sua obra.
Começou a trabalhar num ateliê em Madrid, Espanha. Nessa época conhece sua primeira esposa: a pintora russa Angelina Beloff. Com ela, Diego teve um filho. Logo depois, ela falece.
Juntamente com José Clemente Orozco e David Siqueiros criou o movimento muralístico mexicano. Eles acreditavam que só mesmo o mural poderia redimir artisticamente um povo que esquecera a grandeza de sua civilização pré-colombiana durante séculos de opressão estrangeira e de espoliação por parte das oligarquias nacionais culturalmente voltadas para a metrópole espanhola.
Assim como os outros muralistas, considerava a pintura de cavalete burguesa, pois em maior parte dos casos as telas ficavam confinadas em coleções particulares.
Ao longo de sua vida, criou mais de dois mil quadros, cinco mil desenhos e cerca de quatro mil metros quadrados de pintura mural. iniciou uma fase de gigantescos murais que contavam a historia politica e social do México mostravam a vida e o trabalho do povo mexicano,seus heróis, a terra, as lutas contra as injustiças, as inspirações e aspirações. Em 1929 casou-se com a pintora mexicana Frida Kahlo,a qual pesquisadores com base na autópsia de Frida acreditam ter sido envenenada por uma das amantes de Diego Rivera. Foi pai de 6 filhos que teve com a irmã de sua esposa, Cristina, que foi amante dele muitos anos. Engravidou Frida diversas vezes mais por conta de um acidente que ela sofreu sempre perdia os bebês.
Em 1930 Rivera foi para os Estados Unidos onde permaneceu por 4 anos e lá também pintou vários murais.
Rivera era ateu. Seu mural Sonhos de um Domingo na Alameda retratava Ignacio Ramírez segurando um cartaz que dizia: "Deus não existe". Este trabalho causou um furor, mas Rivera se recusou a retirar a inscrição. A pintura não foi mostrada por 9 anos. Depois de Rivera concordar em retirar a inscrição, ele declarou: "Para afirmar" 'Deus não existe ', eu não tenho que me esconder atrás de Don Ignacio Ramírez, eu sou ateu e eu considero as religiões como uma forma de neurose coletiva ".
 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sábado, 3 de dezembro de 2011

JOÃO CARLOS MARTINS


Biografia

João Carlos[2] começou seus estudos ainda menino, no dia em que seu pai comprou um piano, com a professora Aida de Vuono. Aos oito anos, seu pai o inscreveu em um concurso para executar obras de Bach e ele venceu seu primeiro desafio de tantos outros que estavam por vir. Começou a estudar no Liceu Pasteur e, com 11 anos, já estudava piano por seis horas diárias. Teve, no Liceu, aula com o maior professor de piano da época -- um russo radicado no Brasil, chamado José Kliass. Sempre buscou a perfeição para se tornar um verdadeiro intérprete. Venceu o concurso da Sociedade Brito de São Petersburgo. Seus primeiros concertos trouxeram a atenção de toda a crítica musical mundial. Foi escolhido no Festival Casals, dentre inúmeros candidatos das três Américas para dar o Recital Prêmio em Washington. [1]Aos vinte anos estreou no Carnegie Hall, patrocinado por Eleanor Roosevelt. Tocou com as maiores orquestras norte-americanas e gravou a obra completa de Bach para piano. Foi ele quem inaugurou o Glenn Gould Memorial em Toronto.
João Carlos Martins viu-se por diversas vezes privado de seu contato com o piano, como quando teve um nervo rompido e perdeu os movimentos da mão direita em um acidente em um jogo de futebol em Nova Iorque.
Com vários tratamentos, recuperou parte dos movimentos da mão, mas com o correr dos anos desenvolveu a doença chamada Contratura_de_Dupuytren. Novamente teve que parar de tocar, e dessa vez acreditou seria para sempre. Vendeu todos seus pianos e tornou-se treinador de boxe, querendo estar o mais longe possível do que sua carreira significava como músico. Mas sua incontrolável paixão o fez retornar, e realizou grandes concertos, comprou novos instrumentos e tentou utilizar o movimento de suas mãos criando um estilo único de tocar e aproveitar ao máximo a beleza das peças clássicas. Utilizou-se da mão esquerda para suas peças e obteve extremo sucesso com esta atitude.
Ao realizar um concerto em Sofia na Bulgária, sofreu um ataque em um assalto, e um golpe na cabeça lhe fez perder parte do movimento de mãos novamente.[1] E ao se esforçar, sofria dores intensas em suas mãos, principalmente na esquerda. Novamente pensou que nunca mais voltaria a tocar. João perdeu anos de sua carreira em tratamentos, treinamentos e encontrou novamente uma nova maneira de tocar, utilizando os dedos que podia em cada mão, mas dia a dia podia tocar menos e menos com o estilo e maestria de antigamente.
Essa paixão de João Carlos pela música inspirou um documentário franco-alemão chamado Die Martins Passion, vencedor de quatro festivais internacionais -- FIPA d'Or 2004[3], Banff Rockie Award 2004; Centaur com o melhor documentário de longa-metragem, S. Petersburgo; Best Documentary Award, Pocono Mountains Film Festival, USA.O documentário franco-alemão sobre a sua vida - "Paixão segundo Martins" - já foi visto por mais de um milhão e meio de pessoas na Europa. Também já foi exibido em algumas oportunidades na TV aberta no Brasil, no caso a TV Cultura.
“Eu estava sem rumo, em 2003, já sabendo que não poderia mais tocar nem com a mão esquerda. Sonhei então, que estava tocando piano, com o Eleazar de Carvalho, que me dizia: - vem para cá, que eu vou te ensinar a reger.” - palavras de João Carlos em uma entrevista.
Em maio de 2004, esteve em Londres regendo a English Chamber Orchestra, uma das maiores orquestras de câmara do mundo, numa gravação dos seis Concertos Branndenburguenses de Johann Sebastian Bach e, já em dezembro, realizou a gravação das Quatro Suites Orquestrais de Bach com a Bachiana Chamber Orchestra.[4] Os dois primeiros CDs já foram lançados (lançamento internacional).
Incapaz de segurar a batuta ou virar as páginas das partituras dos concertos, João Carlos faz um trabalho minucioso de memorizar nota por nota, demonstrando ainda mais seu perfeccionismo e dedicação ao mundo da música.
João Carlos realiza,também, na Faculdade de Música da FAAM, um programa de introdução à música com jovens carentes.
A atuação de resgatar a música para as pessoas que conhecem ou ainda nunca tiveram contato com ela faz parte deste "momento mágico" em que vive o maestro João Carlos Martins. Trabalha diariamente com pessoas de todas as camadas por querer mostrar que realmente "A música venceu!". E consegue.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Herminia Silva - Vou dar de beber à alegria--RECEBI POR EMAIL DE MEU AMIGO HENRIQUE DO BLOG A MINHA TRAVESSA DO FERREIRA

Amigas e Amigos

Como já devem saber, o Fado foi ontem considerado pela UNESCO como Património   Imaterial da Humanidade, o que é considerado uma enorme distinção para Portugal...

Mas, o Fado não é só tristeza, dor, ciúme, traição. Também tem muita alegria. E há quem o cante em forma de brincadeira bué da fixe.

Por exemplo, Hermínia Silva foi uma grande fadista nos anos 40/50/60/70/80 do século passado. Muito castiça e muito popular, contemporânea da diva Amália Rodrigues, mas de estilo muitíssimo diferente. Esta interpretação é uma verdadeira caricatura de um fado que ficou famoso na voz do Alfredo Marceneiro (outro Imperador do Fado mais ou menos na mesma época), intitulado «A casa da Mariquinhas», uma verdadeira instituição na chamada canção nacional.

Hermínia Silva num espectáculo em sua homenagem.
Para quem gosta de fado, para quem gosta de recordar e para quem não gosta mas que nunca viu a castiça fadista no melhor dos seus improvisos.

Qjs & abçs

Henrique
A MINHA TRAVESSA DO  FERREIRA

YouTube - Vídeos desse e-mail

sábado, 26 de novembro de 2011

A Nona Vida de Louis Drax




 



Um livro que tem tanto de encantador como de perturbador, devido à temática em si.
Liz Jensen fez um trabalho magnífico na construção das personagens:
Temos o pequeno Louis, um rapaz com predisposição p/ acidentes, que está a realizar terapia com o Perez Gordo, devido à crise familiar em que se encontra. É um rapaz com uma imaginação e um humor que nos diverte. E cujo destino culminará, tal como previa, no grande acidente que o leva ao estado de coma.
Temos o Dr. Pascal Dannachet que se vê perante um caso bizarro, que desafia as leis médicas, ao receber Louis Drax na sua clínica. Com a chegada do Louis, também recebe a sua mãe Natalie que exercerá nele uma atracção doentia.
Temos outro leque de personagens, todas elas importantes e que irão influenciar o fio condutor da história. Devo confessar o carinho que senti pelo pai de Louis Drax. É daquelas personagens que nos ensinam que, às vezes, fazemos escolhas e depois o destino teima em nos mostrar o que perdemos (se lerem o livro vão perceber do que falo!).
A temática principal desenvolve-se em Mente VS Alma: O que é verdadeiro, mentira, até que ponto conhecemos os mistérios da Vida, o que é possível e impossível. A temática secundária prolonga-se no poder do amor de mãe, os seus aspectos positivos e negativos. Apesar de ser um livro pequeno, ensina-nos que na vida…

"Quando se faz uma escolha errada, tem de se viver com ela. Toda a gente tem de viver com o que fez."(Louis Drax, p. 230).


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Trailer de O SOM DO CORAÇÃO - Nos Cinemas


Sinopse
Rapaz que cresce em um orfanato é dono de um dom musical impressionante. Aos 11 anos, ele passa a se apresentar nas ruas de Nova York e usa seus talentos para encontrar seus pais, casal de músicos que foram separados pelo acaso quando jovens.

Elenco: Robin Williams, Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, William Sadler

www.osomdocoracao.com.br

Este é,sem sombra de dúvida,um dos filmes mais comoventes que já assisti.

sábado, 19 de novembro de 2011



Todos dormem e só se ouve o barulho do teclado,enquanto digito...e as lembranças vão chegando,acionadas pelo "todos dormem"...
Aos quinze anos,sonhos povoavam sua mente de menina moça,recém saída da infância e já pensando como mulher,numa época em que se amadurecia cedo para as labutas domésticas,mas se era considerada menina para frequentar os bailes da vida...o pai,carinhoso e protetor era severo em se tratando das diversões,tão normais para as outras meninas de sua idade...e aos seus pedidos e argumentos"-Todas as minhas amigas vão,pai",a resposta era sempre a mesma:-"Você não é todo mundo",e não se podia retrucar,falou,tá falado...ninguém se atrevia a
responder aos pais naquela época.E foi naquela época que nasceu o irmão caçula e ela foi promovida a mãe,sem parir.
    E,é desta época,também,a lembrança da música de Dorival Caymmi,Acalanto,fio condutor destas reminiscências...para ninar o irmãozinho,era esta a melodia preferida e,mais tarde,os filhos que vieram.
É tão tarde
A manhã já vem,
Todos dormem
A noite também,
Só eu velo
Por você, meu bem
Dorme anjo
O boi pega Neném;
Lá no céu
Deixam de cantar,
Os anjinhos
Foram se deitar,
Mamãezinha
Precisa descansar
Dorme, anjo
Papai vai lhe ninar:
"Boi, boi, boi,
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta". (2X)


ACALANTO

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A ARTE DE PERDER_



Tradução de Paulo Henriques Britto

“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

UM POUCO DE RITA APOENA




Sobre as estrelas

Deitada na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e - curioso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.


 Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto... até que amanheça.

       BEIJOS PARA  TODOS  OS  AMIGOS



terça-feira, 8 de novembro de 2011

ROTA DE COLISÃO

Vladimir Volegov


De quem é esta pele
que cobre a minha mão
como uma luva?
Que vento é este
que sopra sem soprar
encrespando a sensível superfície?
Por fora a alheia casca
dentro a polpa
e a distância entre as duas
que me atropela.
Pensei entrar na velhice
por inteiro
como um barco
ou um cavalo.
Mas me surpreendo
jovem velha e madura
ao mesmo tempo.
E ainda aprendo a viver
enquanto avanço
na rota em cujo fim
a vida
colide com a morte.


In: COLASANTI, Marina. Rota de colisão. Rio de Janeiro: Rocco, 1993

domingo, 6 de novembro de 2011

UM CÉU E NADA MAIS

Um céu e nada mais - que só  um temos
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
neram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.


Biografia

Ana Luísa Amaral

Ana Luísa Amaral é professora de Literatura Inglesa no Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras do Porto. Tem publicações académicas (em Portugal e no estrangeiro) nas áreas de Literatura Inglesa, Literatura Norte-Americana, Literatura Portuguesa e Literatura Comparada. É Investigadora Associada do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. A sua poesia consta em várias antologias. Publicou algumas obras para crianças e seis livros de poesia (Minha Senhora de Quê, 1990; Coisas de artir, 1993; Epopéias, 1994; E Muitos os Caminhos, 1995; Às vezes o Paraíso, Lisboa, 1998; Imagens, 2000; A Arte de Ser Tigre, 2003; A Génese do Amor, 2005).



Nasceu em 1956, onde nasceram 90% dos lisboetas (na Maternidade Alfredo da Costa). Aos nove anos, mudou-se, por vontade alheia, de Sintra para terras do Norte (Leça da Palmeira) (…) Frequentou a Faculdade de Letras do Porto, tendo-se licenciado em Germânicas. Deve ter gostado tanto da Faculdade que por lá se deixou ficar, como professora, até ao presente momento. Por necessidade de carreira, tinha que fazer doutoramento. E fez; sobre Emily Dickinson, cujos poemas a fascinam tanto como a fascinara o Zorro. Pelo caminho, foi publicando livros de poemas(…)

Ana Luísa Amaral, Autobiografia (1998)

Fotografia de Graça Sarsfield



terça-feira, 25 de outubro de 2011

PARA A MENINA DOS VINHEDOS


 
          Teu sorriso percorria os caminhos do vinhedo e o som de tua voz encantava os passarinhos.Criança alegre e que sentia "o tempo caindo como pétalas cansadas de flor vazia" e que "entrava no baile das vindimas,colhendo lágrimas que eram também sorrisos",adentraste a juventude e a maturidade sem sentir o peso dos anos vividos porque "o peso não diminuia o sorriso pois era o peso da alegria que não pesa."

             Hoje é teu aniversário e eu gostaria de mandar instalar,como o Poeta,um alto falante,perto de tua janela para que os cantos dos passarinhos fossem ampliados e te acordassem,como uma sinfonia da natureza em tua homenagem...e meu desejo é que as flores de teu jardim se abram e exalem um doce aroma à tua passagem e que a claridade do sol ilumine o teu caminho e te deseje um bom dia...e que este dia seja luminoso e só te traga alegrias.

Para  Manuela

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DIA DO POETA----AOS MEUS AMIGOS POETAS

Segue uma linda definição sobre o poeta pelo grandioso Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente./ E os que lêem o que escreve/ Na dor lida sentem bem/ Não as duas que ele teve/ Mas só as que ele não têm/ E assim nas calhas de roda/ Gira, a entreter a razão/ Esse comboio de corda/ Que se chama coração

Fernando Pessoa

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

El cartero y Pablo Neruda

Il Postino (O Carteiro e o Poeta (título no Brasil) ou O Carteiro de Pablo Neruda (título em Portugal)) é um filme dirigido por Michael Radford sobre a amizade entre o poeta chileno Pablo Neruda e um humilde carteiro que deseja aprender a fazer poesia.

Sinopse

Por razões políticas o poeta Pablo Neruda se exila em uma ilha na Itália. Lá, um desempregado quase analfabeto é contratado como "carteiro" extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Gradativamente se forma uma sólida amizade entre os dois. O carteiro Mario, aos poucos, aprende a escrever seus sentimentos por Beatrice, e Neruda ganha, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile.

Curiosidades

O ator e roteirista Massimo Troisi adiou uma cirurgia cardíaca para poder completar o filme. No dia seguinte ao término das filmagens, ele sofreu um ataque cardíaco fatal.
Como já ocorrera em Cinema Paradiso, o ator francês Philippe Noiret foi dublado por não falar italiano nem espanhol.



WIKIPÉDIA

sábado, 15 de outubro de 2011

DIA DO PROFESSOR

Professor é o sal da terra e a luz do mundo.
Sem vós tudo seria baço, e a terra escura.
Professor, faz de tua cadeira a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério, ele te elevará à magnificência...
... Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Melhor professor nem sempre é o de mais saber e, sim,
aquele que, modesto, tem a faculdade de manter o respeito e a disciplina da classe.

[Cora Coralina]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CASIMIRO DE ABREU ---- AS PRIMAVERAS


 Um dia -além dos Órgãos,na poética Friburgo-isolado dos meus companheiros de estudo,tive saudades
da casa paterna e chorei.

Era de tarde; o crepúsculo descia sobre a crista das montanhas e a natureza como que se recolhia para entoar o cântico da noite; as sombras estendiam-se pelo leito dos vales e o silêncio tornava mais solene a voz melancólica do cair das cachoeiras. Era a hora da merenda em nossa casa e pareceu-me ouvir o eco das risadas infantis de minha mana pequena! As lágrimas correram e fiz os primeiros versos da minha vida, que intitulei – Às Ave-Marias: – a saudade havia sido a minha primeira musa.

Era um canto simples e natural como o dos passarinhos, e para possuí-lo hoje eu dera em troca este volume inútil, que nem conserva ao menos o sabor virginal daqueles prelúdios!

Depois, mais tarde, nas ribas pitorescas do Douro ou nas várzeas do Tejo, tive saudades do meu ninho das florestas e cantei; a nostalgia me apagava a vida e as veigas visonhas do Minho não tinham a beleza majestosa dos sertões.

Eu era entusiasta então e escrevia muito, porque me embalava à sombra duma esperança que nunca pude ver realizada. Numa hora de desalento rasguei muitas dessas páginas cândidas e quase que pedi o bálsamo da sepultura para as úlceras recentes do coração; é que as primeiras ilusões da vida, abertas de noite – caem pela manhã como as flores cheirosas das laranjeiras!

Flores e estrelas, murmúrios da terra e mistérios do céu, sonhos de virgem e risos de criança, tudo o que é belo e tudo o que é grande, veio por seu turno debruçar-se sobre o espelho mágico da minha alma e aí estampar a sua imagem fugitiva. Se nessa coleção de imagens predomina o perfil gracioso duma virgem, facilmente se explica: – era a filha do céu que vinha vibrar o alaúde adormecido do pobre filho do sertão.
Rico ou pobre, contraditório ou não, este livro fez-se por si, naturalmente, sem esforço, e os cantos saíram conforme as circunstâncias e os lugares os iam despertando. Um dia a pasta pejada de tanto papel pedia que lhe desse um destino qualquer, e foi então que resolvi a publicação das – Primaveras; depois separei muitos cantos sombrios, guardei outros que constituem o meu – livro íntimo – e no fim de mudanças infinitas e caprichosas, pude ver o volume completo e o entrego hoje sem receio e sem pretensões.

Todos aí acharão cantigas de criança, trovas de mancebo, e raríssimos lampejos de reflexão e de estudo: é o coração que se espraia sobre o eterno tema do amor e que soletra o seu poema misterioso ao luar melancólico das nossas noites.

Meu Deus! que se há de escrever aos vinte anos, quando a alma conserva ainda um pouco da crença e da virgindade do berço? Eu creio que sempre há tempo de sermos homem sério, e de preferirmos uma moeda de cobre a uma página de Lamartine1.

De certo, tudo isto são ensaios; a mocidade palpita, e na sede que a devora decepa os louros inda verdes e antes de tempo quer ajustar as cordas do instrumento, que só a madureza da idade e o trato dos mestres poderão temperar.

O filho dos trópicos deve escrever numa linguagem – propriamente sua – lânguida como ele, quente como o sol que o abrasa, grande e misteriosa como as suas matas seculares; o beijo apaixonado das Celutas deve inspirar epopéias como a dos – Timbiras – e acordar os Renés enfastiados do desalento que os mata. Até então, até seguirmos o vôo arrojado do poeta de – I-Juca-Pirama2 – nós, cantores novéis, somos as vozes secundárias que se perdem no conjunto duma grande orquestra: há o único mérito de não ficarmos calados.

Assim, as minhas – Primaveras – não passam de um ramalhete das flores próprias da estação, – flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono.
Rio – 20 de Agosto – 1859.

CASIMIRO DE ABREU.



domingo, 9 de outubro de 2011

O ESPELHO DE GANDHI

O caminho para a felicidade não é
 
reto.
Existem curvas chamadas EQUÍVOCOS,
existem semáforos chamados AMIGOS,
luzes de cautela chamadas FAMÍLIA,
e tudo se consegue se tens: um estepe chamado DECISÃO,
um motor poderoso chamado AMOR,
um bom seguro chamado Fé,
combustível abundante chamado PACIÊNCIA,
mas acima de tudo um motorista habilidoso chamado DEUS!
Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos. Ele respondeu:
A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade
.
A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis​​, se eu sou amável,
que as pessoas são tristes, se estou triste,
que todos me querem, se eu os quero,
que todos são ruins, se eu os odeio,
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio,
que há faces amargas, se eu sou amargo,
que o mundo está feliz, se eu estou feliz,
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva,
que as pessoas são gratas, se eu sou grato.
A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta.
A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim.
"Quem quer ser amado, ame"
 
     RECEBIDO  POR  E-MAIL

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um filme que amo:QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL





(Four Weddings and a Funeral, ING, 1994)
Comédia/Romance
Direção: Mike Newell
Elenco: Hugh Grant, James Fleet, Simon Callow, John Hannah, Kristin Scott Thomas, David Bower, Charlotte Coleman, Andie MacDowell, Rowan Atkinson
Roteiro: Richard Curtis
Duração: 117 min.
Um filme muito bom.Comédia, margeado por uma historinha de amor. Essa é a principal diferença dos outros filmes do gênero, onde a comédia é um complemento do romance. Hugh Grant sabe como fazer papel de bobalhões e eu acho que foi nesse filme que ele aprendeu como.
O filme é bem britânico e conta a história de um grupo de amigos que está sempre se encontrando em casamentos. Cada personagem tem a sua característica e o seu modo de se relacionar com os acontecimentos e com as pessoas próximas.
Os diálogos são primorosos e os foras de Grant são de fazer qualquer um rolar de rir. Outra presença marcante é a de Rowan Atkinson (o Mr Bean) como um padre atrapalhado.
A trama conquista por sua leveza e pela delicadeza com que aborda os relacionamentos entre amigos, irmãos, companheiros, desconhecidos e amantes (sejam eles hetero ou homossexuais).
Faz rir, faz chorar e não perdeu nada de sua graça com o tempo. Vale a pena você conferir!


Este poema foi lido durante o funeral.Emocionante!!!
     E você,o que está fazendo aí?Vá correndo a uma locadora e traga este filme para ver neste final de semana...acompanhado de uma bacia de pipocas,de preferência.
   Ah!Não deixe de ver o vídeo,com o poema sendo declamado em inglês.ESTÄ NA POSTAGEM  SEGUINTE!!!----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Blues Fúnebres
W. H. Auden



Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.


Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.


Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.


É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.


W. H. Auden nasceu em York, Inglaterra, em 1907. Mudou-se para Birmingham na infância e estudou no Christ's Church, em Oxford. Quando jovem, era influenciado pelas poesias de Thomas Hardy, Robert Frost, William Blake e Emily Dickinson.


Visitou a Alemanha, China, serviu na guerra civil espanhola e em 1939 mudou-se para os Estados Unidos, tornando-se, mais tarde, cidadão americano. Manteve um relacionamento aberto com Chester Kallman, nada fazendo para ocultar sua homossexualidade.



Auden era também dramaturgo, editor e ensaísta. Considerado o maior poeta inglês do século XX, seu trabalho influenciou as gerações seguintes, dos dois lados do Atlântico.

. Faleceu em Viena, em 1973.




Alice

Nossa memória é como se fosse uma grande cidade,seus bairros com seus arquivos e cada endereço com uma informação.Alguns,privilegiados,só tem boas lembranças,lindas recordações.Vivem em suntuosas mansões protegidos de todo mal.Outros,entretanto,vivem no submundo e arrastam suas mazelas como grilhões de prisioneiros.Diariamente arquivamos nossas informações e estamos sempre em uma busca constante de antigas e necessárias lembranças.Cabe a cada um de nós a responsabilidade pelas nossas escolhas e novos caminhos a trilhar.Não vamos, como a Alice, nos perdermos pelos caminhos tortuosos da imaginação e nem sermos seduzidos pelo "pó de pirlimpimpim" o qual poderá nos mostrar uma realidade deturpada e fantasias sedutoras,porém falsas.

CARTA AOS AMIGOS

Amigos queridos,estou verdadeiramente DESOLADA!!!Não sei o que está acontecendo com meus blogs,se estão com o aviso de malware ou algo que o valha,mas são poucas as pessoas que estão comentando,portanto peço que me avisem se eles estiverem com a tal tarja vermelha,pois não tenho como saber e isto me deixa desarvorada,desanimada e desmotivada,não tenho ânimo(para postar),só fico andando de blog em blog(podia ser de bar em bar,alternativa bem pior,ou melhor???)e postando comentários,meio que olhando de fora sem da festa participar.
        Bjssssss e HELP!!!!!
                           Leninha

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

UM CHOPE PRA DISTRAIR PAULO DINIZ

Esta música,me traz lembranças de um amigo,Paulo Diniz,que não vejo há muitos anos e que fez parte de uma época feliz de minha vida,quando morava na fazenda e ele,com a esposa Sheila,amiga do coração,iam passar as férias comigo...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Rose Marie Muraro (Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1930) é uma intelectual e feminista brasileira. Nasceu praticamente cega, sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo.
Estudou Física, esta escritora e editora publicou diversos livros polêmicos, contestadores e inovadores do ponto de vista dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.
As idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita."

[Biografia

Oriunda duma das mais ricas famílias do Brasil nos anos 1930/40, aos 15 anos, com a morte repentina do pai e conseqüentes lutas pela herança, rejeitou a origem e dedicou o resto da vida à construção de um novo mundo: mais justo, mais livre. Nesse mesmo ano conheceu o então padre Helder Câmara e se tornou membro de sua equipe. Os movimentos sociais criados por ele nos anos 40 tomaram o Brasil inteiro na década seguinte. Nos anos 60, o golpe militar teve como alvo não só os comunistas, mas também os cristãos de esquerda.
A Editora Vozes é um capítulo à parte na vida de Rose. Lá, trabalhou com Leonardo Boff durante 17 anos e das mãos de ambos nasceram os dois movimentos sociais mais importantes do Brasil, no século XX: o movimento de emancipação das mulheres e a teologia da libertação - até hoje, base da luta dos oprimidos. Nos anos 80, presenciou a virada conservadora da Igreja. E em 1986, Rose e Boff foram expulsos da Vozes, por ordem do Vaticano. Motivo: a defesa da teologia da libertação, no caso de Boff e a publicação, por Rose, do livro Por uma erótica cristã.
Rose Marie Muraro foi eleita, por nove vezes, A Mulher do Ano. Em 1990 e 1999, recebeu, da revista Desfile, o título de Mulher do Século. E da União Brasileira de Escritores, o de Intelectual do Ano, em 1994. O trabalho de Rose, como editora, foi um marco na história da resistência ao regime militar. DEvido a este trabalho, recebeu, do Senado Federal, o Prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos 20 anos da anistia no Brasil.
Foi palestrante nas universidades de Harvard e Cornell, entre tantas outras instituições de ensino americanas, num total de 40. Editou até o ano 2000 o selo Rosa dos Tempos, da Editora Record.
É cidadã honorária de Brasília (2001) e de São Paulo (2004). Ganhou o Prêmio Bertha Lutz (2008), e principalmente, pela Lei 11.261 de 30/12/2005 passada pelo Congresso Nacional foi nomeada Patrona do Feminismo Brasileiro.
Rose Marie Muraro tem 5 filhos e 12 netos, frutos de um casamento de 23 anos.

Memórias de uma mulher impossível - Cinco sobre cinco

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DESABAFO DE UMA SENHORA IDOSA(QUE PODE SER DE UM SENHOR TAMBÉM)

O que vocês acham,amigos?

Desabafo da senhora idosa ...
 
 
 
Espetacular para calarmos as vozes que vivem a clamar pela proteção e preservação do meio-ambiente, mas não abrem mão do "conforto" que as modernidades oferecem.
 

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- De fato, não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje em dia, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisávamos ir a dois quarteirões de distãncia.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas? a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; e que depois como será descartado?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usáavamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível, senhor caixa, que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

REPUBLICAÇÃO

Canção da Minha Ternura
Rondaste o meu castelo solitário
como um rio de vozes e de gestos;
baixei as minhas pontes fatigadas
e conheci teus lumes, teus agrados
teus olhos de ouro negro que confundem;
andei na tua voz como num rio
de fogo e mel e raros peixes belos,
cheguei na tua ilha e atrás da porta
me deste o banquete dos ardores
teus

Mas às vezes sou quem volta
a erguer as pontes e cavar o fosso
e agora em sua torre, ternamente,
sem mágoa se debruça nas varandas
vendo-te ao longe , barco nessas águas,
querendo ainda estar se regressares
-porque seria pena naufragarmos
se poderias ter, sem tantas dores,
viagens e chegadas nos amores meus.
Lya Luft

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

POEMAS SOMBRIOS ____ REFLEXOS

Reflexos…
Sou o que sou,
Porque assim o quero ser,
Não sou o que querem que seja,
Porque reflexos não poderia ter,
Porque não posso ser um reflexo de outro,
Quero ser um reflexo de mim,
Ser eu mesmo, ser simplesmente assim,
Ser apenas um reflexo do bom que há em mim,
Não me podem levar a mal,
Só por ser um reflexo evidente,
Não consigo reflectir o mal,
Que muitos tem presente.
(Emanuel Azevedo)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

TEMPUS FUGIT ____ CARPE DIEM RUBEM ALVES

Quando se vive sob a luz crepuscular - a hora do Angelus -, sabe-se que o trabalho ficou inacabado, o trabalho fica sempre inacabado, o tempo se encarrega de desfazer o que fizemos, as mãos ficam diferentes, deixam de lado as ferramentas, retorna-se ao lar, corpo e alma "voltam ao reduto da familiaridade". Ao meio-dia se fazem trabalho e política. Ao crepúsculo se faz poesia. Ao crepúsculo se sabe que não seremos salvos pelas obras. Ao crepúsculo se retorna à verdade evangélica e protestante que afirma que somente a Palavra nos salvará. Ao crepúsculo comemos palavras: é a hora sacramental, a hora da poesia. Ao crepúsculo se sabe que o que importa e "ser", simplesmente "ser"...
Não, o interesse pelos sofrimentos dos homens não foi perdido. É que na hora crepuscular se compreende que "mundos melhores não são feitos; eles simplesmente nascem" (e.e. Cummings). Há uma revolução que se faz com poesia e alegria. É Neruda que o diz: a Reforma Protestante foi feita com música, cantando. Caminhando e cantando...
O ser diante da chama da vela: só olhos, só fantasia; ou diante de uma sonata de Beethoven (Ah! Lenin dizia que poderia ficar ouvindo a Appassionata o dia inteiro, e se alegrava de que aos homens esse poder tivesse sido dado de produzir a beleza, e ficava com vontade de sair à rua e começar a abraçar as pessoas - o que é muito perigoso para quem está vivendo sob as ilusões do meio-dia...); ou como diante de um poema de Alberto Caeiro: "Sejamos simples e calmos,/ Como os regatos e as árvores,/ E Deus amar-nos-á fazendo de nós/ Belos como as árvores e os regatos/ E dar-nos-á verdor na sua primavera/ E um rio aonde ir ter quando acabemos..."
Os deuses do meio-dia não são os mesmos do crepúsculo. Interessante notar que o dia bíblico começa com o crepúsculo, quando o sol se põe... Talvez essa seja a maneira certa (já que Deus faz tudo ao contrário): tomar como início aquilo que nossa vã sabedoria sempre achou que fosse o fim. Começar do fim... Aliás, é este o conselho que o matemático polonês Polya dá àqueles que querem aprender a resolver problemas de matemática: "Comece sempre pelo fim!" Se ainda tivéssemos Pitágoras por nosso mestre, diríamos que o que é verdade para a matemática tem de ser verdade também para a alma. Começar pelo fim! Ver a vida inteira sob a luz crepuscular!
Ao meio-dia o céu é um imenso mar azul. O tempo está parado, imobilizado. Ao crepúsculo tudo se altera: o mar imóvel se transforma em rio, as águas correm cada vez mais rápidas, as cores se sucedem, o azul passando ao amarelo, ao rosa, ao vermelho, ao roxo, para, finalmente, mergulhar na noite. "Especialmente na medida em que se vai ficando mais velho", diz Alan Watts em seu livro sobre o taoísmo, "vai-se tornando óbvio que as coisas não têm substância, pois o tempo passa cada vez mais rapidamente, de forma que nos tornamos conscientes da liquidez dos sólidos; as pessoas e as coisas se transformam em reflexos e rugas na superfície da água".
Kierkegaard estava certo. É preciso dizer a idade. Os olhos crepusculares não são olhos que vêem menos: são olhos que vêem diferente. Eles vêem sob a perspectiva da morte. Pois é ela, a morte, que se nos aparece ao crepúsculo. É só ela que nos permite ver o crepúsculo. "As nuvens que se ajuntam ao redor do sol que se põe/ ganham suas cores solenes de um olho/ que tem atentamente vigiado a mortalidade dos homens..." Estes são versos de William Wordsworth. Não, não são as cores lá fora que são belas e tristes. São as cores crepusculares que moram dentro do olhar...
Talvez você tenha-se assustado, quando me referi à morte. É compreensível. A vida inteira ouvimos falar mal dela. E as religiões até fazem tudo para matar a morte, para que não haja crepúsculos no mundo, para que o sol esteja permanentemente a pino. "Mas ao matar a morte a religião nos tira a vida", diz Octávio Paz. "A eternidade despovoa o instante. Porque a vida e a morte são inseparáveis. Tirando-nos o morrer a religião nos tira a vida. Em nome da vida eterna a religião afirma a morte desta vida".
O crepúsculo é belo por causa do rio, o fluir do tempo que faz as cores mudarem... Ouço, de Holst, o poema sinfônico Os Planetas. Neste momento, é Vênus: o que traz a alegria. Também a sua beleza depende do tempo que passa - os acordes se vão para dar lugar aos que vêm, até que chegarão ao fim e eu direi: "Que lindo! Pena que acabou!" A vida e a beleza só existem por causa da morte, que torna possível que elas dancem. D. Juan, o bruxo do livro de Castarïeda, Viagem a Ixtlan, chama a Morte de "conselheira". Ela nos torna mais sábios. Não é por acaso que a sabedoria está associada à velhice. Hegel dizia que a coruja de Minerva só abre suas asas no crepúsculo. E Roland Barthes, ao ficar velho (mas era bem mais moço do que eu), afirmava que naquele momento ele se entregava ao esquecimento de tudo o que aprendera a fim de poder chegar à sabedoria.
Que sabedoria nos ensina a morte? É simples. Ela só diz duas coisas. Primeiro, nos aponta o crepúsculo, a chama da vela, o rio, e nos diz: Tempus Fugit - o tempo passa e não há forma de segurá-lo. E, logo a seguir, conclui: Carpe Diem - colha o dia como quem colhe um fruto delicioso, pois esse fruto é a dádiva de Deus. Os poetas e artistas têm sabido sempre disso. Porque a arte é isso, pegar o eterno que cintila por um instante no rio do tempo. Como está escrito neste lindo poema de Paul Bouget que Debussy musicou e a Barbra Streisand gravou no maravilhoso CD Classical Barbra: "Quando, ao sol que se põe,/ os rios ficam cor rosa,/ e um leve tremor percorre/ os campos de trigo,/ parece das coisas surgir uma súplica de felicidade/ que sobe até o coração perturbado./ Uma súplica de beber o encanto de se estar no mundo/ enquanto se é jovem e a noite é bela./ Pois nós nos vamos,/ como se vai esta onda:/ Ela, para o mar,/ nós para a sepultura..."
Num dos cadernos de Camus encontra-se o seguinte parágrafo: "Os pássaros, durante o dia, voam em todas as direções. Ao cair da noite, entretanto, dir-se-ia que eles voam para um mesmo lugar. Assim, talvez, ao cair da noite da vida..." Eu me sinto assim: ao chegar o crepúsculo, as muitas palavras que escrevi em todas as direções, reduzem-se a algo extremamente simples. Aconteceu assim também com Jorge Luis Borges, já bem mais velho do que eu.
"Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito. Relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido. Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. Seria até menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos sopa. Teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Eu fui uma destas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto de sua vida. Claro que tive momentos de alegria mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não o sabem, disso é feita a vida, só de momentos. Não percam o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas. Se voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho oitenta e cinco anos, e sei que estou morrendo..." (Jorge Luis Borges)
Ricardo Reis disse a mesma coisa num poema mais curto: "Dia em que não gozaste não foi teu:/ Foi só durares nele. Quanto vivas/ Sem que o gozes, não vives./ Não pesa que amas, bebas ou sorrias:/ Basta o reflexo do sol ido na água/ De um charco, se te é grato./ Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas/ Seu prazer posto, nenhum dia nega/ A natural ventura". Beber o encanto de estar no mundo! Não importa que ele nos venha em pequenos fragmentos de alegria, de riso, de compaixão, de amizade, de silêncio, arroz e feijão, o abraço de amor, a poesia, as coisas do dia-a-dia. Se você não sabe sobre que estou falando, por favor, leia a poesia de Adélia Prado. São sacramentos, fragmentos de uma felicidade que nos toca de leve, para logo se ir. A felicidade é assim, não é coisa grande que vem para ficar. Sabe disso Guimarães Rosa, que dizia que ela só acontece em raros momentos de distração. Mas é justo assim que Deus vem, quando estamos distraídos, eternidade num grão de areia, reflexo do sol ido na água de um charco.
Tudo é um grande brinquedo. Brinquedo: coisa mais alegre e efêmera haverá? E é isso que nos ensina a morte, que a vida é brinquedo, não pode ser levada a sério - o que nos torna humildes e livres das alucinações de importância e de poder. Desenhos de conchas na areia, como aquele imenso cavalo-marinho de caracóis que a menina, do filme O piano, fez na praia, enquanto sua mãe tocava... Coisas que uma criança faz na praia, casas, castelos, túneis, caminhos... "E assim, num dia de tempo calmo,/ embora estando em ilha distante,/ contemplamos o mar imortal/ que nos trouxe até aqui,/ e vemos na praia as crianças brincando/ e ouvimos as fortes águas eternamente/ rolando..." (e.e. Cummings, citando W. Wordsworth)
Logo a maré, durante a noite, apagará tudo, e pela manhã a praia estará maravilhosamente lisa, todas as cicatrizes saradas, como se nada tivesse acontecido. Haverá metáfora mais bela para o perdão? E o brinquedo poderá começar de novo. Aquilo que foi amado deve ser repetido. Por isso afirmamos: "Creio na ressurreição do corpo": o que foi, voltará.
"O que aconteceu acontecerá de novo,/ o que já foi feito será feito de novo,/ nada de novo há debaixo do sol"
(Eclesiastes 1.9)
Tempus Fugit.
"Vai, portanto, come a tua comida e alegra-te com ela,/ bebe o teu vinho com um coração feliz./ Veste-te sempre de branco/ e que não falte óleo perfumado nos teus cabelos./ Goza a vida com quem amas todos os dias da tua vida. Pois Deus já aceitou o que fizeste..."
(Eclesiastes 9.7)
* O tempo foge; Curta o dia