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terça-feira, 20 de março de 2012

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Pudim  - Por Marta Medeiros 
Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir Pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só. 


Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.. 


O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. 


A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco. 


Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. 


Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). 


Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. 


Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo. 


Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai. 


Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... 


Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão..... 


Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos. 


Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções. 


Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'... 


Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado. 


Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora. 


Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro
um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias
e o Malvino Salvador, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem. 


Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . ....

7 comentários:

Imac by Artes disse...

Não conhecia esse texto da Martha
Medeiros,ela é demais!
Tens razão a vida anda cheia de meias porções, tantos deveres, tanta preocupação...As vezes dá vontade de fazer tudo errado isso é verdade! Muito bom!
Abraços! Boa noite e um amanhã radiante pra ti.

ValériaC disse...

Oi florzinha...ameiiii o texto...é verdade... a gente as vezes vive pela metade... vamos viver por inteiro, não é mesmo?
Beijinhos e feliz dia,
Valéria

Tina disse...

Leninha
Agora estou aqui no " Dez Leis"...menina! não tem um blog seu que eu não tenha amado!
Todos de extremo bom gosto e é uma delícia caminhar por todos eles...
Parabéns!!!
bjs
Tina (SONHAR E REALIZAR)

lis disse...

oi Leninha
Atras de atualização sua rs vim ver As "Dez leis "
Gostei do espaço e do pudim da Medeiros, bem escrito e de dar água na boca rs
abraços amiga
fique bem e tenha um lindo fim de semana

manuela barroso disse...

Ah!Leninha como eu gostei deste desabafo desta contestação desta verdade!
Tudo pela metade. Tudo a contento de outro valores ou exigências?
Para ler, reler, ler...
Abraço enorme, querida

Silvia Ordonhes disse...

Olá passando para deixar o meu carinho!
Parabéns Leninha,linda poesia...
Sucesso e abração
Bem vinda sempre que puder
Cantinho Forno e Fogão
ARTESANATOS EM TRICO

Silvia Ordonhes disse...

Parabéns a você e o Neno!!!
Fiquei Feliz que ganharam o sorteio no blog Su...beijos no core queridos!!!
Paz e luz para humanidade