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quinta-feira, 16 de junho de 2011

EXCLUIDOS

Os excluídos

Ao contrário do que o título desta crônica possa sugerir, não vou falar sobre aqueles que vivem à margem da sociedade, sem trabalho, sem estudo e sem comida. Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor. São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.

A maioria deles são solteiros, os sem-namorado. Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana. É impossíver ser feliz sozinho? Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha. Mas se é uma fatalidade ao avesso - o amor esqueceu de acontecer - aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.

E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis. Não são infelizes e nem se sentem abandonados. Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa. Eles não estão sós, tecnicamente falando. Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito. Perderam a carteirinha de sócios. Não são mais bem-vindos ao clube.

Como é que se sabe que é um excluído? Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua - não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante - você inclusive. Se lhe bate uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sente uma fisgada na virilha e tem a impressão que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma este beijo que você assistiu lhe parece um ato de violência - porque lhe dói - então você está fora de combate, é um excluído.

A boa notícia: você não é um sem trabalho, sem estudo e sem comida - é apenas um sem-paixão. Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal. Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha. O clube segue de portas abertas.
Martha Medeiros

Um comentário:

Anônimo disse...

bom dia minha amiga querida... ouvindo essa música que eu adoro, acabo de ler esse texto... e penso: fantástico! Em poucas palavras uma chacoalhão para a vida... Sabe, já fui uma excluída, mas ganhei um presente de Deus, o Rê... com ele aprendi o que é o amor, o que é ser cuidada, o que é ter alguém pra caminhar nessa estrada que ao certo ninguém sabe onde nos levará... Mas sabe amiga, antes mesmo do Rê, mesmo antes dele sendo do território dos "excluídos" não por opção, mas talvez por algum erro de percurso... eu tinha algo de tão precioso, que considero a minha maior motivação de vida... o Rafa, meu filho amado, sei que ele é do mundo, tem uma vida inteira pela frente, mas com esse amor tão genuíno, tão tão tão único... não dá pra ficar triste um segundo... olhar pra ele, vê-lo crescendo... só de pensar me emociono e dá até um nozinho na garganta, vontade de chorar de emoção... ahhhh, não posso me considerar excluída não...rs O Rafa me deixa assim completamente emocional, mãezona e boba!!! E olha que ele já é um moção, quase 15 anos!!! meu lindo...
Nossa amiga, viajei aqui, nem vou reler...rsrs
Beijos, te adoro, obrigada pela sua amizade sincera e linda!!! Beijos no coração... Su...