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domingo, 17 de abril de 2011

citação


"A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só, elas não sabem viver sozinhas...
Quem quizer levar a rosa para sua vida, terá de saber que com elas vão inumeros espinhos. Não se preocupe a beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos..."


Pe Fábio de Melo

CRÔNICA DE ANDERSON FABIANO

Recordações, Repressão, Tortura
18/09/10
Sorriso on the rocks
Crônica incluída na 1ª Antologia de Crônicas Cariocas

Era bem fácil ser criança, em Cascadura, lá pelas bandas dos anos cinquenta. O futuro ficava bem depois das Ipanemas que, perdido entre piões, bolas de gude e cerol, nem sabia se existiam. Os dias eram enormes e a pobreza era disfarçada sob o manto da simplicidade, sem grifes nem crediários em atraso. Tudo simples como pão com manteiga e café com leite. Os dias começavam com galos estridentes e terminavam com os acordes finais de “Jerônimo, o herói do sertão”. Por vezes, driblava a vigilância da avó e conseguia saber alguma coisa do “Anjo”, que vinha logo depois e nada mais. Janete Clair, nem pensar! Não era coisa pra criança...

Aos sábados, brincava de gente grande passando o esfregão com palha de aço na sala ou lavando a cozinha pra poder escorregar no chão ensaboado. Nenhum Bush, nenhuma camada de ozônio, nenhum MST. As únicas balas perdidas eram as “Ruth” carimbadas, que não achava nunca. A vida era enredomada de céus azuis onde pipas coloriam a fantasia.

Os primeiros desenhos, os primeiros textos, os primeiros sonhos. Mas tudo escondido, porque ser poeta era coisa de maluco. “Filho de pobre tem que ser doutor”. Assim, minhas vidas secretas começavam sem que me desse conta. De dia, o moleque, o garoto que fugia do banho frio e que não limpava direito atrás da orelha. À noite, o irreverente, o sonhador entregando-se, no escuro, às primeiras letras. Era o despertar da clandestinidade.

O tempo fez a parte dele e eu, creio, a minha. Hoje, quando os arautos do ocaso, qual gaiteiros escoceses emergindo da névoa densa que chamei de vida desenham suas silhuetas aqui, ao meu lado, resgato aquele menino que foi, sem favores, um dos melhores de mim. O corpo desconhecia a dor das torturas e a alma, o calvário das paixões perdidas. O sorriso era franco, sem censuras, sem medos de esquinas e os amigos eram possíveis, tipo “pra sempre”.

Tudo funcionava numa rotina que não aprisionava, que descortinava experiências maravilhantes: as tranças da tia normalista, os vincos perfeitos que levavam o tio sacana para as noites de gafieira, o quiabo com linguiça e até a cama Drago, dobrável, que toda noite dava um jeito de beliscar minhas coxas no quarto de paredes repletas de flâmulas colecionadas.

Agora, me pego lembrando essas coisas, enquanto olho para mais um copo do velho uísque, suada e inútil válvula de escape de desilusões acumuladas, e rio. Rio muito sem me aperceber que sou observado por alguns curiosos parceiros de bar. E lembro que, naquele tempo saudoso, dentre os meus ritos secretos, havia um, ao menos intrigante: fazia xixi, todas as noites, quisesse ou não, pois minha avó assim ordenava. Na volta do banheiro, atravessando a cozinha, bebia um copo de água de moringa e ficava um tempão olhando para outro copo, onde minha saudosa vozinha depositava sua dentadura. Nunca entendi aquele estranho hábito dos adultos e confesso, na cabeça de menino sonhador, acreditava que minha avó ficava triste ao dormir.

Ficava imaginando se ela conseguia sonhar ou se suas noites eram uma sucessão ininterrupta de pesadelos. Afinal, seu sorriso estava ali, bem diante dos meus olhos, sem nenhuma serventia, mergulhado num copo d’água, privando aquela mulher dos últimos vestígios de vaidade...

Pensando bem, chega de bebidas por hoje. Copos roubam sorrisos.

Anderson Fabiano

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
Clarice Lispector

NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

Gente Humilde

sábado, 9 de abril de 2011

De ser Velha

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo .. Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu jardim. Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo de chorar por um amor perdido ... Eu vou.
Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.

Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há mais, alguns coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errada.

Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velha. A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).



Autoria desconhecida

sexta-feira, 8 de abril de 2011

citação

"...........
Viva hoje !
Arrisque hoje !
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ"
Feliz...Feliz... Arriscar à Fazer, para Viver Feliz !!!!
Pablo Neruda
O pensamento tem poder infinito.
Ele mexe com o destino, acompanha a sua vontade.
Ao esperar o melhor, você cria uma expectativa positiva que detona o processo de vitória.
Ser otimista é ser perseverante, é ter uma fé inabalável e uma certeza sem limites de que tudo vai dar certo.
Ao nascer o sentimento de entusiasmo, o universo aplaude tal iniciativa e conspira a seu favor, colocando-o a serviço da humanidade.
Você é quem escreve a história de sua vida - ao optar pelas atitudes construtivas - você cresce como ser humano e filho dileto de DEUS.
Positivo atrai positivo.
Alegria chama alegria.
Ao exalar esse estado otimista, nossa consciência desperta energias vitais que vão trbalhar na direção de suas metas.
Seja incansavelmente otimista. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma.
É humano e natural viver aflições, só não é inteligente conviver com elas por muito tempo.
Seja mais paciente consigo mesmo, saiba entender suas limitações.
Sem esforço não existe vitória.
Ao escolher com sabedoria viver sua vida com otimismo, seu coração sorri, seus olhos brilham e a humanidade agradece por você existir.
Pablo Neruda